A saúde mental é essencial para o bem-estar humano, impactando a vida de diversas formas, incluindo o gerenciamento do estresse e a adaptação às mudanças na rotina. Segundo um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 1 bilhão de pessoas tinham transtornos mentais até 2019, 14% sendo adolescentes.
Durante o primeiro ano da pandemia, em 2020, houve um aumento de mais de 25% nos casos de depressão e ansiedade. Além disso, a pesquisa revela que o suicídio representou mais de 1% das mortes, com 58% ocorrendo antes dos 50 anos.
O suicídio é um fenômeno complexo que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero. Sendo assim, pode ser resultado de uma interação de fatores psicológicos, biológicos, culturais, socioambientais e, até mesmo, genéticos.
Sinais de alerta
A médica Mariannie Queiroz, especialista em saúde mental, destaca a importância de reconhecer os primeiros sinais de alerta que indicam que alguém pode estar em necessidade de ajuda.
“Os primeiros sinais que a gente pode perceber em alguém que está gritando por socorro é a mudança de comportamento, mudança repentina do humor, não ter mais vontade de realizar atividades que até então eram corriqueiras, como as atividades de trabalho, ou até mesmo no decorrer do dia, nos afazeres domésticos”, explica a médica.
Ela ressalta que é crucial prestar atenção a esses sinais, como isolamento, irritabilidade ou choro excessivo, pois eles podem indicar que alguém está pedindo ajuda. No entanto, é importante notar que nem todos os casos de pensamentos suicidas estão diretamente ligados a transtornos mentais. A especialista observa que diversos fatores, incluindo ansiedade, depressão (seja unipolar ou bipolar) e transtornos de personalidade, podem influenciar esses pensamentos.
A médica Mariannie Queiroz enfatiza que oferecer ajuda começa com a comunicação. “Tudo começa com a fala”, diz ela. De acordo com a especialista, mesmo que não sejamos profissionais de saúde mental, ouvir alguém que está passando por um momento difícil já é uma forma significativa de ajuda. Ela sugere que começar a conversa sem críticas, simplesmente ouvindo, é um passo importante, e que o acolhimento desempenha um papel crucial,
“É essencial mostrar empatia e lembrar que a pessoa que está enfrentando dificuldades mentais é um ser humano que precisa de apoio. Um gesto tão simples quanto um abraço ou um elogio pode fazer uma grande diferença para alguém que está passando por um momento desafiador”, explica a médica.
Quando o assunto é tratamento, a especialista explica que não há uma abordagem única. A médica conta que para pessoas que já tentaram suicídio, a internação pode ser uma opção a ser considerada, no entanto, uma rede de apoio sólida, incluindo familiares e amigos, é igualmente importante. Além disso, o tratamento pode envolver medicação para estabilizar o humor, mas isso deve ser cuidadosamente monitorado, pois a medicação inadequada pode agravar a situação.
Em entrevista ao Saúde na Mídia, a médica Mariannie Queiroz enfatiza que o pensamento de uma nova tentativa de suicídio deve ser tratado com empatia e compreensão. Segundo a médica, é possível ajudar o paciente a superar essa fase difícil, isso inclui um acompanhamento adequado, consultas regulares com um psiquiatra e a atenção à qualidade de vida, incluindo atividade física e terapia.
Cuidados com a saúde mental
De acordo com a profissional, uma boa alimentação, sendo ela variada para suprir todos os nutrientes necessários, ajuda a manter o cérebro com saúde. A especialista explica que esse é o órgão responsável pelos comportamentos e emoções – e ele também pode adoecer.
Entre os cuidados com a saúde mental, estão os hábitos saudáveis, como uma alimentação adequada e saudável, sendo ela variada para suprir todos os nutrientes necessários, e a prática de atividade física, ajuda a manter o cérebro com saúde. A existência de doenças crônicas também aparece como um dos fatores de risco para o suicídio. E a prevenção para essas doenças também passa pela manutenção de hábitos saudáveis.
Para famílias que enfrentam esses desafios, a especialista em saúde mental destaca a importância de ter um profissional de confiança como referência e de buscar apoio especializado para enfrentar os desafios da saúde mental.
Onde buscar ajuda?
– CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde);
– UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro; Hospitais;
– Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita).




