O câncer de pâncreas, classificado como o sétimo câncer mais letal no Brasil pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), continua sendo uma ameaça silenciosa devido à sua tendência a não apresentar sintomas iniciais, o que muitas vezes resulta em diagnósticos tardios. A compreensão dos sintomas e seus desafios é essencial.
O pâncreas é uma glândula que integra os sistemas digestivo e endócrino, possuindo um peso de cerca de 100 gramas e medindo aproximadamente 15 centímetros em adultos. Sua localização se encontra na região posterior ao estômago e, lateralmente, entre o fígado e o baço. O órgão desempenha um importante papel na produção de hormônios, tais como insulina, somatostatina e glucagon, os quais desempenham a função crucial de regular os níveis de glicose no sangue.
Adicionalmente, o pâncreas também exerce a função de gerar enzimas como tripsina, lipase e amilase, que desempenham um papel vital no processo de digestão. O pâncreas pode ser dividido em três partes distintas: a cabeça (lado direito do órgão), que é a parte principal e mais suscetível a câncer, além do corpo (localizado no centro) e a cauda (lado esquerdo).
Sintomas
De acordo com o médico cirurgião Orlando Torres, é fundamental abordar os sintomas desse câncer para um diagnóstico mais precoce e eficaz. Além dos fatores de risco, como idade avançada, histórico de tabagismo, etilismo, dieta inadequada, sedentarismo e predisposição genética, é importante observar os sinais precoces da doença..
“O paciente que é obeso ou que bebe muito, ele pode ter pancreatite crônica, e a pancreatite crônica é uma das causas do câncer de pâncreas, a outra causa comuns são as inflamações, as pancreatites agudas, associadas ou não a cisto no pâncreas”, explica o médico.
Um sintoma notório do câncer de pâncreas é a perda de peso inexplicável. Os pacientes podem perceber uma diminuição significativa em seu peso corporal sem uma razão aparente. Além disso, a icterícia é um sintoma marcante, causando amarelamento dos olhos e afetando a cor da urina, que se torna mais escura, e das fezes, que se tornam mais claras, devido à obstrução das vias biliares. Muitos pacientes também relatam coceira devido ao acúmulo de pigmentos biliares na pele.
A anemia é outra manifestação do câncer de pâncreas, que pode levar à fadiga e fraqueza. Além disso, alguns pacientes podem notar dor abdominal, desconforto na região superior do abdômen e uma sensação de plenitude após comer pequenas quantidades de comida.
Diagnóstico desafiador
O diagnóstico precoce do câncer de pâncreas é notoriamente difícil, especialmente quando o tumor está localizado na cabeça do pâncreas. Como explicado pelo Dr. Orlando Torres, exames de imagem, como a tomografia abdominal com contraste e a ressonância nuclear magnética, são essenciais para identificar o tumor e avaliar sua extensão.
Exames laboratoriais, incluindo o marcador tumoral CA199, também podem ser úteis na confirmação do diagnóstico. No entanto, devido à falta de sintomas específicos nos estágios iniciais, muitas vezes o câncer de pâncreas é descoberto quando já está em estágios avançados.
Tratamento e esperanças futuras
O tratamento do câncer de pâncreas é complexo e geralmente envolve uma abordagem multidisciplinar. A cirurgia é um componente crucial do tratamento, seguida pela quimioterapia. O trabalho em equipe entre cirurgiões especializados em câncer de pâncreas e oncologistas clínicos é fundamental para alcançar os melhores resultados.
O Dr. Orlando Torres destaca a pesquisa em andamento sobre uma possível vacina no futuro, que poderia prevenir ou controlar o câncer de pâncreas, especialmente em pacientes com predisposição genética. No entanto, por enquanto, evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool ainda são as medidas preventivas mais eficazes.
Suporte emocional é fundamental
O impacto emocional do diagnóstico de câncer de pâncreas é significativo, devido à sua baixa taxa de sobrevivência. Portanto, o suporte psicológico para pacientes e suas famílias desempenha um papel crucial no enfrentamento dessa doença desafiadora.
“O nome câncer de pâncreas já assusta bastante, pois sabemos que a sobrevida é curta, mesmo utilizando todos os tratamentos disponíveis de momento. Então, é importante o paciente e a família terem um acompanhamento psicológico e todo o suporte necessário para enfrentar esse momento desafiador”, diz o cirurgião.
É importante lembrar que a prevenção e a detecção precoce são fundamentais. Consultar regularmente um médico, adotar um estilo de vida saudável e estar atento aos sintomas pode aumentar as chances de identificar o câncer de pâncreas em seus estágios iniciais, quando o tratamento é mais eficaz.




